FORMAÇÕES EM AGROECOLOGIA E ECONOMIA SOLIDÁRIA: HORA DE UM NOVO MODELO ACONTECER.
Apesar das negociações climáticas da COP26 de 2021, e sem levar em conta os desejos dos países
mais afetados pela crise climática, das vozes das comunidades indígenas e dos jovens em
particular, os líderes dos países ricos, acima de tudo, ainda falham em evitar uma maior
destruição do planeta e em garantir proteções suficientes contra o sofrimento humano que piorará
à medida que as temperaturas continuarem a subir.
Tal omissão é um ato de violência histórico e atual, e um resultado direto de nosso modelo
econômico desigual e movido a carbono. Reconhecer as desigualdades que a perpetuam é vital para
enfrentar a crise climática.
“A CRISE CLIMÁTICA É, SEM DÚVIDA NENHUMA, APENAS UM SINTOMA DE UMA CRISE MUITO MAIOR. UMA CRISE
BASEADA NA IDEIA DE QUE ALGUMAS PESSOAS VALEM MAIS DO QUE OUTRAS E, PORTANTO, TÊM O DIREITO DE
EXPLORAR E ROUBAR AS TERRAS E OS RECURSOS DE OUTRAS PESSOAS. É MUITO INGÊNUO ACREDITAR QUE
PODEMOS RESOLVER ESTA CRISE SEM CONFRONTAR SUAS RAÍZES.” GRETA THUNBERG.
A primeira é a desigualdade entre países. Os países ricos são responsáveis por cerca de 92% de
todas as emissões históricas excedentes - muito acima de sua parcela justa de emissões de CO2.
Também há uma desigualdade significativa entre os países no acesso ao conhecimento e às
tecnologias que são vitais tanto para a adaptação à crise climática quanto para a redução e
prevenção de emissões de gases de efeito estufa. Por exemplo, países ricos, em nome de suas
empresas nacionais, apresentaram queixas à OMC, pois países de baixa e média renda incentivaram
o crescimento de suas indústrias de energia renovável.
A segunda, que não chama atenção suficiente, é a desigualdade de emissões entre as pessoas mais
ricas e o resto do mundo. A análise das emissões por grupo de renda mostra que o consumo
excessivo das pessoas mais ricas do mundo é a principal causa da atual crise climática.
No cerne da crise de desigualdade está um modelo econômico altamente extrativista baseado no
crescimento com alto índice de emissão de carbono, que atende amplamente às necessidades
daqueles que já são ricos, mas está aumento os maiores riscos para aqueles que vivem na pobreza.
Por isso é urgente a prática da agroecologia e da economia solidária como saída ao enfrentamento
dessas profundas realidades.